quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ParaFina

Sou como cera de vela
Que mesmo quando derretida
Se adapta, se remodela
Mesmo por algo comprometida
Ela é sempre ela

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Algumas constatações

Todo o percurso até aqui fez com que me desse conta de algumas coisas. Por exemplo, a maturidade é uma conquista diária, assim como a superação de determinadas mediocridades. A música é combustível para a alma, tal como as 'letras'. Me dei conta que certas convenções sociais são tão maléficas, quanto outras são necessárias - mas o importante sempre é ter consciência dos porquês de cada uma delas. A eterna sensação ou consciência de estar sempre indo embora atrai algumas especificidades para os relacionamentos que cultivo. E talvez essas especificidades sejam impostas por mim. "Eu não sou o outro". Uma boa noite de sono não faz bem apenas para o corpo, e muitas vezes tem a mesma importância de ficar acordado por causa de uma boa conversa. Não foi difícil de sacar também que o silêncio é sagrado e é terreno fértil para treinar a atenção dos ouvidos. A espontaneidade verdadeira é menos comum que imaginamos. O mundo não deve ser visto a partir de maniqueísmos e dicotomias - somos plurais. Estar só não depende de outras pessoas, senão apenas de quem sente a solidão, que pode ser muito benéfica e até mesmo necessária. Escrever é mais fácil do que eu imaginava e mais difícil que do que imagino. O perfeccionismo tem de ser usado a nosso favor e não para auto tortura. Mas a auto cobrança é essencial para seguir buscando sempre melhorar.
Enfim, finalmente me dei conta que a principal beleza da vida é a oportunidade de sempre poder recomeçar do zero, quando se reconhece os erros.
E claro, me dei conta que o Chico Buarque é genial.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Para retomar, uma homenagem!

Depois de tanto tempo sem postar, resolvi publicar um trecho de um Guimarães Rosa, que recebi do Sesc por email. Faz parte dos textos selecionados pela instituição para o projeto "Nossa Língua...Identidade e Diversidade". Coloco aqui em homenagem aos apaixonados (por alguém, pela vida, ou pelos dois!)

"Diadorim: que bastava ele me olhar com os olhos verdes tão em sonhos, e, por mesmo de minha vergonha, escondido de mim eu gostava do cheiro dele, do existir dele, do morno que a mão dele passava para minha mão. O senhor vai ver. Eu era dois, diversos? O que não entendo hoje, naquele tempo eu não sabia.
[...]
E de repente eu estava gostando dele, num descomum, gostando ainda mais do que antes, com meu coração nos pés, por pisável; e dele o tempo todo eu tinha gostado. Amor que amei - daí então acreditei. A pois, o que sempre não é assim?"

(João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ao som da trilha sonora "Balada do Inimigo"

Deu o primeiro dos últimos suspiros. Encontrou-se consigo mesma e retomou o caminho em busca da ...loucura."Não gosto do bom gosto, dos bons modos, não gosto". Tinha se esquecido, por um milésimo de tempo, o que a fizera dispersar, e enveredar-se por searas distantes de si mesma.

Se é na fragilidade que revelamos as nossas paixões, os nossos desejos, e o que somos realmente, a busca pelo sentido tem que ser aberta aos recomeços, e até mesmo suscetível ao erro que humaniza e amadurece os pensamentos. É amor, e não paixão que é perfeita, ou ódio que amarga por completo. Buscou um novo passo, uma nova coreografia, e não tinha nada de mal nisso.

Os que entenderam, não o fizeram por incentivo moral inconsciente. Posicionou-se de maneira humildemente aberta, sempre, com índices altos de auto-avaliações, por medo de decepcionar. A si mesma. E eis a busca do auto-conhecimento. Não há nada de egoísmo nisso.

O suspiro a fez lembrar de uma música que não estava identificando. Talvez fosse aquela do Lobão. "E o impossível é uma droga perigosa o bastante para se inventar a fé, para se acreditar na fé, em alguma salvação. E eu deslizo pro fundo de um quarto escuro, já não sei mais onde estou. Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro e a devastação da vida um cobertor. Talvez algumas lágrimas nos tornem um pouco mais inchados e vazios... Não há estilo sem fracasso. Talvez alguns sorrisos nos deixem um pouco mais silvio santos das nossas torturas, pois a salvação floresce feliz como um escárnio. Lá onde os deuses não morrem nunca, mas são recauchutados debaixo de nossas almas, numa salvação que só interessa aos assassinos e aos santos numa salvacão triste como qualquer céu, como num domingo, como num suicídio, como num êxtase que se desaprende"

Reergueu-se, e correu ao encontro (e de encontro) com a vida.